cE ter toda essa dança antes de começar pra cair num mesmo resultado, buraco, palavra, ideia, desafio, solução – me dá medo, sim.
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Resumo: todo o meu processo criativo passa por esse medo. E é por isso que dedico tanto tempo a ele, estudando reescritura, experimentando formas diferentes para conteúdos similares, agindo com ele como orientador de criatividade.
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Essa frase de Isak Dinesen, pseudônimo da escritora dinamarquesa Karen Blixen, é citada no livro “Mac e seu contratempo”, livro do Enrique Villa-Matas que tem convivido comigo no último mês. Nele, um homem de meia-idade resolve começar a exercitar a escrita a partir de um diário íntimo em que narra seu desejo de reescrever o fracassado livro de estreia de alguém que hoje é um escritor de sucesso, e também seu vizinho. No capítulo 4, Mac conta sua relação de escritor principiante com a repetição: descobriu que era só por meio dela que saberia o que realmente queria escrever. Compartilho aqui para me lembrar, pois hoje comecei um texto novo mais um plano e o medo da repetição se apresentou.
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É a consciência da repetição que torna o começar um palco experimental, em que é possível dançar com os discursos passados e fazer emergir as novidades.
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E você, tem algum medo que sempre aparece nos seus começos? Como ele pode orientar seus inícios inspiradores?
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