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Todo mundo tem voz. Nossa voz é formada por uma trama complexa entre nossa biologia, nossa história pessoal (contexto) e os discursos alheios que passam por nós. Em tempos de redes sociais, em que as vozes de todos são amplificadas, cada vez mais se valorizam aspectos mais “humanos” da comunicação: autenticidade, afetuosidade, pacificidade…

É a essa humanização da forma como nos comunicamos que gosto de chamar de comunicação autoral. Autoral porque expressa identidade e ponto de partida da construção do discurso naquela ordem, com aqueles elementos, naquele contexto. Autoral também porque se “autocria”, isto é, se constrói enquanto ser a partir do discurso, da linguagem. Resumindo, a comunicação cria histórias no mundo e nos constrói através delas.

As histórias são infinitas. Muitas vezes me procuram porque têm medo de que seu assunto acabe, acham que não tem inspiração suficiente se comunicar, não encontram uma regularidade de temas, têm dificuldade de estabelecer uma ordem para o que têm a dizer. Tudo isso e mais um pouco no mesmo balaio das demandas: “preciso de uma estratégia de comunicação”, “quero saber o que escrever/falar/gravar”.

Estratégia não é passo a passo. Por trás dessas demandas, geralmente tem um pedido de solução prática, rápida e indolor (“me diz o que fazer!”), uma receita para encurtar o seu caminho, um aplicativo que encontre as palavras certas, coloque-as na ordem, inclua expressões prontas cientificamente testadas para atrair a atenção do público e ainda passe no SEO pra passar pelo crivo do Google. Isso tudo não é estratégia, é atalho. Alguns atalhos podem, sim, ser elementos da estratégia, desde que você tenha clareza de qual é ela primeiro. Para mim, estratégia é um quebra-cabeças de possibilidades para manter o foco. Hoje quero mostrar algumas peças que usei/uso para compor os meus quebra-cabeças por aqui.

Acredito que a comunicação autoral é um fluxo entre dar e receber que parte de nós mesmos. É a partir de nossas infinitas histórias que nasce esse fluxo e depende de nós equilibrar esse fluxo.

Sua estratégia de comunicação autoral começa com autoconhecimento focado na sua história pessoal e no seu território de palavras:

Quem é você hoje? Que discursos te inspiraram até aqui? Resgate sua biblioteca pessoal: livros, filmes, pessoas que marcaram sua história, todo o tipo de conteúdo que você hoje considera relevante sobre quem é você e a marca que você está construindo. Uma dica também relacionada a livros e filmes, é ler resenhas que as pessoas publicam tanto em blogs quanto em avaliações de sites de editoras ou e-commerce para pesquisar que palavras e expressões elas usam para se referir a esses conteúdos e talvez também descobrir algum público potencial e sua linguagem nessas redes. Pesquise mais os temas que são caros a você. Seja especialista de si mesmo!

Que palavras te representam? Como as pessoas te imitam? Quais são os seus bordões? Qual o tom do seu discurso? Todo esse repertório pode contribuir para a criação de hashtags, apresentações de bio/perfil e até encontrar termos para criação de produtos e serviços, por que não?

Qual é ou quais são as causas que você defende? Suas respostas aqui vão trazer clareza para:

– temas importantes para suas pautas editoriais (datas comemorativas, aniversários, datas de eventos etc.);

– potenciais pontos de contato, como parcerias;

– público que também se conecta com as mesmas causas.

A partir de sua bagagem pessoal, você começa o fluxo de dar, oferecendo:

– Conteúdos inspiracionais (citações, histórias que te inspiraram a empreender)

– Conteúdos informacionais (eduque seu público compartilhando informações que são relevantes para sua marca pessoal — datas comemorativas, eventos, homenagens, campanhas nacionais/mundiais…)

– Pontos de conexão (abra espaço para trocar ideias com seu público a partir do que você narra).

Para equilibrar seu fluxo infinito, é importante ativar o fluxo de receber, criando conteúdos que peçam:

– Informações sobre seu público, por meio de formulários de pesquisa, enquetes em redes sociais e aplicativos de celular;

– Dados de seu público para que você possa estabelecer um relacionamento, seja por meio de lista de e-mails, de telefone…

– Consumo, a energia da troca que vai manter seu fluxo vivo, por meio de campanhas promocionais e ofertas de seus produtos e serviços.

Para concretizar esse fluxo, é necessário pensar na forma da sua comunicação autoral. A forma diz tanto sobre os tipos de conteúdo que você deseja produzir quanto as mídias ou espaços que você escolher nutrir com seu conteúdo.

Comece com os tipos de conteúdo em que você sente sua voz mais potente, depois vá avançando os territórios de comunicação. No meu caso, escolhi investir um bom tempo em comunicação textual (posts, artigos, newsletter, site, portfólio), visual (fotos, bancos de imagem) e em áudio (via lista de transmissão, mas que também poderia ser podcast) para só recentemente partir para o audiovisual (vídeo).

Com relação a espaço, comecei pelo virtual, divulgando por fanpage do Facebook, depois parti para o site, o blog, newsletter pelo Mailchimp, lista de transmissão via WhatsApp e hoje foco mais no Instagram como canal de contato e divulgação. Também recorri a espaços físicos, com trabalho com grupos, porque pra mim é importante manter o modo presencial ativo no meu negócio. Não existe ordem certa, existe ordem coerente com o movimento que você deseja fazer para sua comunicação fluir.

Espero que esses elementos despertem ideias para você começar a sua estratégia de comunicação autoral, de forma mais consciente e humanizada! E se sentir que precisa de mais olhos focando seu negócio para clarear sua estratégia, conte comigo. Será um prazer apoiar o início inspirador de seu projeto!

(artigo originalmente publicado em medium.com/@carolmessias em 12/2/19)