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Ao longo da jornada pessoal e profissional, escolhemos e somos escolhidos por diversos papéis: sociais, profissionais, civis, públicos e privados… (um parêntese importante a deixar aqui, mesmo que eu não vá falar sobre isso neste post, é que se temos a chance de escolher papéis, certamente há privilégios a colocar na conta; pois a grande maioria ainda é engolida por papéis que se impõem). O que quero dizer sobre papéis hoje é sobre sua função e como passam a existir (não necessariamente nessa ordem). Se eles só existem em relação a outros papéis e inseridos num campo, é inevitável se questionar a serviço de quê eles estão, que possibilidades eles criam e que ideias eles cristalizam. .
Desde o início deste ano, e especialmente neste período de quarentena, tenho refletido sobre meu papel no campo da Comunicação. Me inseri (ou me apropriei) desse campo mesmo não me denominando “comunicadora”, mas conservando o papel central de pesquisadora (de processos autorais). Quando a pandemia começou, me questionei sobre o que deveria falar, o que deveria expressar e compartilhar nas redes sociais da Incipit – quase ensaiando um papel de protagonista comunicadora diante de um cenário absolutamente incerto, desconhecido e obscuro. Foi quando entendi que esse papel não me cabia (o de falar sobre ou a partir do vírus). Então, deixando o protagonismo nesse campo de lado, passei a vestir o papel de observadora, escutando atentamente os movimentos do contexto e os chamados novos que as pessoas me traziam (para além dos escritos e dos processos individuais): um pedido de live sobre como retomar hábito da escrita de si; um outro sobre os benefícios da leitura e da literatura; mais um sobre como escrever história de negócio sem copia-e-cola; e este, de amanhã, com título shakespeariano sobre “Ser ou não ser protagonista?” (que vai acontecer terça, dia 14/4, às 20h, ao vivo, no insta da @danielle.morreale ).
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Em vez de propôr, recebi e respondi a chamados diferentes pra falar de temas que, naturalmente, se apresentaram com um fio condutor comum: falar da minha experiência com histórias (escritas, lidas e cocriadas). 

Não ter tomado o “bastão da fala” público nesse período, abriu meus ouvidos e meus olhos para meu lugar de fala possível aqui e agora. Na verdade, reforçou meu papel de narradora neste campo que cultivo da Comunicação Autoral – uma narradora autoral que prefere estar a serviço da narrativa, de povoar o mundo com histórias de pessoas, do cotidiano, de negócios e vozes autorais. Um papel muito bem descrito no ensaio “O narrador”, de Walter Benjamin, de 1936:
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“Cada manhã recebemos notícias de todo o mundo. E, no entanto, somos pobres em histórias surpreendentes. A razão é que os fatos já nos chegam acompanhados de explicações. Em outras palavras: quase nada do que acontece está a serviço da narrativa, e quase tudo está a serviço da informação.” (Walter Benjamin) .
📷registro do @andreasrosephotography na edição 2 do Workday que aconteceu há um mês – ou como me vejo a serviço da narrativa autoral.
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Nesses tempos, as perguntas sobre papéis que me fizeram tecer essa história foram: que papéis você tem desempenhado? Que papéis você tem se imposto, escolhido e acolhido? De que forma seus papéis têm te afetado? E que pistas esses papéis e afetos trazem sobre suas potencialidades?
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