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O “Incipit Hub encontra” é meu espaço de encontro com outras vozes autorais. Nesta primeira edição em texto, entrevistei Ana Fragoso, que fez do Slow Marketing sua forma de empreender e sua bandeira para promover um marketing mais consciente e humanizado. Aqui ela conta um pouco de sua trajetória, seu encontro com o conceito do marketing slow, suas principais referências e as bases que dão lastro para seu fazer profissional hoje.

Conheci a Ana Fragoso no meio de uma pesquisa para a Incipit sobre Slow Media. Estava buscando formas humanizadas de comunicar que dialogassem com a Comunicação Autoral e me conectei com o conceito do Slow, por meio da rede DesaceleraSP e da Profa. Michelle Prazeres. No meio da pesquisa, saltou o conceito “Slow Marketing” e o nome da Ana. Logo entrei em contato com ela e agendamos uma reunião. A conexão foi instantânea: em pouco tempo, pudemos conhecer o trabalho uma da outra em nossos workshops que estavam acontecendo no mesmo mês. Na sequência, Ana me convidou para compôr um dossiê coordenado por ela em uma revista sobre Slow Marketing. Nossa parceria aconteceu de forma muito natural e desde então tocamos atividades juntas, com nossos temas complementares. Em Ana Fragoso, encontrei uma aliada nesta forma mais consciente e humana de divulgar e consumir conteúdos, gerando conexão consigo e com o outro com mais autenticidade e presença. Com ela e o conceito do Slow Marketing, sigo reforçando a convicção de que existe um caminho possível para comunicar e vender o que você faz com mais consciência, sustentabilidade e conexão. Com vocês, Ana Fragoso:

Carolina (Incipit Hub): Ana, você atua como Mentora de Empreendedores com foco em Slow Marketing. Como você escolheu se dedicar a esse tema e como é o seu trabalho?

Ana Fragoso encontrou no Slow Marketing sua forma de empreender e sua bandeira para promover um marketing mais consciente e humanizado.

Ana Fragoso (Slow Marketing): Esse tema foi o resultado de uma busca pessoal intencional. Comecei minha trajetória empreendedora depois de 15 anos trabalhando em empresas. Ao ter pela primeira vez meu próprio negócio, senti a necessidade de ter um marketing bem feito. Seguir os passos dos grandes gurus do marketing que o Google e as redes sociais me apresentavam, foi naquele momento, o caminho a seguir. E ao ir por aí me deparei com um mundo que parecia ser muito maior do que eu e que ao mesmo tempo me levava a ser igual a todo o resto das pessoas. 

Tentei me moldar a essas regras, mas chegou uma hora que já não fazia sentido e fui em busca de algo mais coerente. Lembro quando vi o termo Slow Marketing pela primeira vez em uma referência no site do Carl Honoré, que me levou ao meu atual mentor Tad Hargrave. Ao encontrar essas pessoas comecei a enxergar um novo lugar onde o marketing não era agressivo, nem comigo e nem com os outros. Onde meu ritmo importava mais do que as tendências, minha intuição e principalmente quem EU era importava mais do que os números de KPI das campanhas de marketing.

O Slow Marketing foi a minha forma de dizer BASTA para tantas coisas que aceitamos, mas não deveríamos. Desconexão, persuasão, invasão e escassez deram lugar para conexão, inspiração, convite e abundância.

Desde então, meu trabalho tem sido falar sobre como o marketing pode ser mais consciente, menos agressivo, no seu tempo, com a sua cara e dando resultados para os profissionais autônomos e empreendedores. Ofereço processos de mentoria de duas ou mais sessões, onde falo sobre as bases do negócio sustentável e ensino conceitos de marketing inovadores e inspiradores. Acredito que minha principal entrega é fazer com que as pessoas enxerguem o poder daquilo que têm para oferecer e mostrar como fazer isso de uma forma coerente, positiva e consciente, transformando o marketing em um hábito prazeroso. 

C.: Quais são as bases e quem são suas referências no Slow Marketing?

A.: Uma das minhas principais referências é Carl Honoré, quem encabeça hoje o movimento Slow no mundo inteiro. O que aprendi com ele que mudou meu estilo de vida foi respeitar meus próprios tempos, independente do que dita o mundo exterior. Nasci e cresci em SP, tenho a mente muito acelerada e um perfil de executar muitas coisas ao mesmo tempo. Isso me trazia muita ansiedade, mas acreditava que era preciso ser assim para atender as expectativas do mundo e hoje vejo o quanto isso me afetava. Agora consigo perceber quando preciso acelerar e quando posso ir mais devagar, sem deixar o campo exterior me influenciar. É um aprendizado e um esforço diários. 

Depois dele, minha outra grande referência é meu mentor canadense Tad Hargrave. Ele foi quem me trouxe muitas das ferramentas que uso no meu negócio e na mentoria. Seus insights sobre marketing e como transformá-lo em algo que  você pode fato gostar de fazer é muito inspirador. Outra grande referência que uso é Carolyn Tate, profissional de marketing australiana que escreveu o livro Conscious Marketing, baseado no Capitalismo Consciente. Ela me mostrou que é possível mudar o marketing que aplicamos hoje, em qualquer tamanho de empresa. Minha mais nova querida no mundo do Marketing é Lynn Serafin, que escreveu o livro 7 Graces of Marketing. Livro incrível que me fez enxergar como o marketing nos adoece se usado de forma errada e de que forma podemos mudar isso. 

Todas essas pessoas também muitas outras são minha referência para levar adiante a mensagem do Slow Marketing. Além delas é importante dizer que essa bandeira também leva muitas de minhas minhas próprias descobertas, experiências, insights e valores, os quais compartilho e expresso em minhas entregas – seja num post de instagram, de blog ou em um Workshop.

A principal base do Slow Marketing é a pessoa por trás da marca. Essa é a matéria prima para desenvolver todo o resto. Esse todo se divide em 3 esferas:
A Plataforma, que é pelo que a pessoa quer ser conhecida, qual o papel dela na comunidade, a mensagem que quer levar e para quem.
O Contêiner, que é o modelo de negócio, que precisa ser sustentável no longo prazo. Aqui olhamos para o que está sendo oferecido e se está alinhado com tudo o que é a plataforma.
Os Caminhos são tudo aquilo que fazemos para que as pessoas cheguem até nós. Aqui é onde estão as táticas de marketing tanto online quanto offline.

C.: O Slow Marketing é um conceito que vem ganhando adeptos no mercado empreendedor, especialmente entre autônomos e pequenos negócios. A que se deve essa aderência do mercado a esse conceito?

A: Acredito que o primeiro motivo para essa aderência dos pequenos é o fato de eles mesmos poderem fazer seu próprio marketing. Lembro minha frustração lá atrás quando queria ter um marketing bem feito e o único jeito que parecia possível era contratando outras pessoas. Isso nos limita e tira a essência do marketing que atinge o coração das pessoas. Por isso, perceber que o que dizem os gurus de marketing não é bem isso é um alívio muito grande para aqueles que sabem que o marketing é importante mas que não querem ou não podem envolver outras pessoas no processo. 

Outra coisa que chama muita a atenção dos empreendedores é aprender a fazer um marketing que não é agressivo. Somos agredidos pelo marketing a tanto tempo que nos acostumamos com isso. Ao dar voz a esse incômodo, o Slow Marketing acaba sendo uma alternativa para aqueles que percebem o quanto isso é danoso para a sociedade. Parto do princípio de que queremos que as pessoas comprem de nós porque realmente precisam e querem o que oferecemos, e não porque utilizamos uma artimanha ou “pegadinha” para ela comprar. 

Acho que a visão de que o marketing pode ser um convite e não uma imposição é um novo caminho que tem atraído muitos profissionais que querem ser mais conscientes em suas entregas. 

C.: Geralmente as pessoas associam Marketing a uma forma de agilizar o alcance de público e a conquista rápida de resultados financeiros. Qual a sua visão sobre isso?

A.: Para mim, o Marketing é o último passo da construção de uma marca. Quem começa pelo marketing dificilmente verá resultados no longo prazo. 

Marketing também deve ser um filtro. Ele precisa ajudar a repelir quem não é compatível com você ao mesmo tempo que atrai as pessoas que pensam como você. Por isso estamos diante de uma equação única, porque somos todos diferentes. E quando você enxerga isso, tudo o que é fórmula e formatos prontos perde o sentido.

Uma empresa ou marca sem profundidade pode investir o quanto quiser em marketing, porque mesmo que os resultados aconteçam usando as vias agressivas (persuasão, invasão, escassez), os clientes “convencidos” ali dificilmente voltarão a comprar ou irão recomendar essa empresa para seus conhecidos. 

Na minha visão o caminho é sempre de construção, passo a passo, com muito respeito à nós mesmos e ao outro. É uma espiral, que você está sempre subindo, mas de forma estruturada, sem medo de não conseguir fazer a curva porque está rápido demais. 

C.: Você acredita que o Slow Marketing também é uma estratégia viável para grandes marcas?

A.: Eu adoraria acreditar que sim e me arrisco a dizer que no futuro há chances de que as grandes empresas mudem seu jeito de fazer marketing. Existem ações isoladas, com mais de foco no “ser humano”. No entanto o grosso do marketing que somos expostos todos os dias é de base manipulativa, nos tratando como mais um número. As grandes marcas só conseguirão usufruir desse tipo de marketing o dia que incorporarem em sua cultura princípios inovadores como os do Capitalismo Consciente, por exemplo. 

Infelizmente estamos longe dessa realidade. Mas me deixa muito feliz perceber mais movimentos nesse sentido na sociedade. Talvez mudando uma pessoa de cada vez, trazendo novas alternativas e informações sobre como somos manipulados pelo marketing, conseguiremos apoiar marcas mais conscientes e deixar de comprar daquelas que não são. Até lá, continuaremos vendo empresas focadas no lucro e usando de táticas negativas para conseguir clientes.

C.: Com que palavra-chave você definiria uma estratégia de marketing slow e porquê?

A.: A palavra chave para mim é Consciência – de quem você é, a que veio, com quem quer trabalhar e com quem não. Não existe milagre. É preciso conhecer muito seu próprio negócio para ter um marketing que dê resultados. Enxergo como a construção de uma estratégia de dentro para fora. É mais difícil? claro que sim! Mas é definitiva. É a SUA estratégia e o mais bonito disso é que ninguém vai conseguir te copiar, nem se quiser!

Saiba mais sobre Slow Marketing e as mentorias oferecidas pela Ana Fragoso em seu site e redes sociais. Conheça também nossas estações de trabalho juntas, nosso collab aqui.